Conceito de Alfabetização e Letramento

 Este trabalho tem como objetivo apresentar o conceito sobre alfabetização e Letramento, alfabetização no sentido amplo e restrito  e alfabetizar letrando.

 A alfabetização surgiu a mais de 5000 anos antes de cristo como códico de reprodução simbólica do pensamento.  A leitura e a escrita esteve ligada  a relação de poder e dominação, além do poder religioso. Com o desenvolvimento social a escrita passou a ter uma nova e importante função social, sendo atribuído como oportunidade para a melhoria de qualidade de vida e produtividade no trabalho. A leitura e escrita passou a fazer parte da vida econômica sendo determinante na perspectiva de vida.

 Magda Soares, em seu texto As muitas facetas da alfabetização faz o analise do desenvolvimento escolar fazendo um levantamento do índice de aprovação nas décadas de 60, 70 e 80, e concluiu que mais da metade dos alunos fracassam na escola. Pra entender o porquê desse fracasso ela busca resposta ora no aluno, ora no contexto cultural do aluno, ora no professor, ora no método, ora no material didático e ora no próprio  meio do código escrito. Sendo assim, a primeira faceta refere-se ao conceito de alfabetização, onde esta implicado os métodos de alfabetização que é método fônico e o método onde a alfabetização ocorre  de modo mecânico (codificação e decodificação da escrita) a escrita, e a representação de fonemas em grafemas e vice-versa*, e o método global onde ocorre a representação por meio  de expressão e compreensão de significado aos códigos escrito[1]. Desse modo a alfabetização devera ocorrer contemplar os dois métodos, e levando em consideração os determinantes sociais as funções e fins da aprendizagem da língua escrita. Indo mais além, Soares faz uma analise na natureza do processo de alfabetização e dos condicionantes do processo de alfabetização, apresentado as múltiplas facetas, nessa perspectiva à criança para ser alfabetizado tem que ser levado em questão: o pré-requisito; Lecto-escrita (o estagio de compreensão da natureza simbólica da escrita que se encontra na criança); maturidade lingüística; a alfabetização como processo de treinamento relacionado com os usos sociais da língua e o “progressivo domínio” (transferência da fala para a escrita e vice-versa). E também são levados em questão os fatores sociais, econômico, culturais e político que condiciona a educação, predominando a dominação e a discriminação. Discriminação essa que começa nas variedades lingüística. para compreender a educação brasileira e suas facetas é preciso uma preparação dos professores, assim estes profissionais estarão aptos a utilizar métodos e procedimentos de alfabetização e de elaborar seu material didático, assumindo uma postura diante das implicações ideológicas.

A alfabetização segundo Di Nucci (1991-1995), ocorre de maneira restrita e descontextualizada de seu cotidiano, e que as condições sociais exigem o aprimoramento dos usos sociais da leitura e da escrita nos diferentes gêneros, esta aprendizagem ocorre na instituição escolar envolvendo o domínio ativo e sistemático das habilidades de ler e escrever.

 A alfabetização vai além da habilidade mecânica de codificação e decodificação do ato de ler, abrange a capacidade de interpretar, compreender, estabelecer  relações com o real, ler dominando a mecânica de leitura e a relacionando simultaneamente com o pensamento, saber criticar e reproduzir conhecimento. De acordo com Abud, Maria José M. a alfabetização pode ser entendido tanto no sentido amplo como no sentido restrito. No sentido amplo a alfabetização faz parte da formação da personalidade da criança, neste sentido é necessário que encontre na leitura uma motivação permanente, além de integrar o individuo de forma crítica e dinâmica tanto do ponto de vista social quanto do  pessoal, ampliando de forma crítica a visão de mundo, dando lhe base na aquisição de uma cultura geral, servindo de alicerce da aprendizagem escolar, tendo em vista que a alfabetização não ocorre só na 1° sério, e sim ao longo do período escolar. Já no sentido restrito, a alfabetização é um processo de aquisição das habilidades básicas  de leitura e escrita, ensinado o códico escrito relacionando ao códico oral, habilitando a decifrar a codificação e decodificação. sendo assim, o ato de “ler significa apenas o ato  de decifrar e traduzir um códico, estabelecendo correspondência entre sinais gráficos e sons” .

  No livro de Sérgio A.S. Leite, por nome Alfabetização e Letramento, trás um desafio para o professor, onde Eliane Porto Di Nucci inicia com uma citação:

Letramento é,  sobretudo, um mapa no coração do homem, um mapa de quem você é, e de tudo que você pode ser.

Magda B. Soares

 No conceito do letramento, a alfabetização ocorre quando parte da experiencias da criança em seu ambiente para chegar ao conhecimento formal  da linguagem, ensinando  a ler e escrever considerando seu contexto social, ao mesmo tempo que torna o individuo alfabetizado e letrado. Nesta perspectiva o professor deve propor a leitura e a escrita de forma contextualizada, e de diferentes tipos de texto, permitindo ao individuo  a usar diferentes usos da escrita no seu cotidiano, e de se inserir numa cultura letrada. “É preciso promover a reflexão sobre a crítica para que ela seja compreendida  nos usos e nas funções sociais presente no cotidiano. Cabe  aos educadores oferecer oportunidades para essa reflexão por meio do grande desafio que é alfabetização letrada” (Nucci). A escola deve oferecer diferentes gêneros textuais e oportunizar a comunicação oral e escrita, além desenvolver  a capacidade reflexiva e critica do educando, este processo de letramento vai além do ensino institucionalizado.   

A criança antes de ser alfabetizada ela já elabora hipótese sobre a função da escrita a partir do conhecimento que tem da língua oral e do contato com eventos de letramento que ocorre naturalmente na rotina cotidiana da família como trocas de idéias, localizar endereços ler revistas ou jornais etc. nesta perspectiva o individuo leva para a escola ‘…a oralidade e as variações lingüísticas, pois o individuo transfere para a escrita marcas da oralidade usada no cotidiano’, assim cabe ao professor valorizar seus dialetos e normatizar a escrita de acordo com as normas-padrão, possibilitando ser utilizado e entendido no uso social.
         O papel da escola é tornar o aluno como alfabetizado, o que inclui o domínio do códico. Tendo como desafio tornar o aluno letrado, habilitando-o a usar a escrita em atividades comunicativas e culturais. Para isso é preciso contextualizar o uso da escrita no e a partir do cotidiano, e propor leitura e escrita de diferentes tipos de texto, doando-lhe significado, pois o letramento implica ir além de atividades escolares, abrangendo para o meio social.

Emilia Ferreira, em sua citação, faz a comparação entre os períodos, inicia evidenciando o 1º e 2º período, onde o problema encontra-se na criança que tem dificuldade na escola, e não a dificuldade da escola em ensinar a criança. A autora evidencia também o período 3, onde  a criança deixa de ser a culpada por seu próprio fracasso, deixa de reduzir o conhecimento posto para a criança, nesse período a criança é agente do conhecimento, com capacidade e habilidade para ser trabalhada da melhor maneira introduzindo conhecimento e dando-lhe oportunidade de se desenvolver. É preciso introduzir, ao invés de reduzir e estigmatizar o conhecimento e capacidade da criança, pois ser criança é ser uma pessoa  ativa com múltiplas capacidades e habilidades, com modo próprio de agir, pensar e expressar sobre o que é, vê, pensa e aprende. Como Diz Ferreiro:

           ‘[...] As mudanças necessárias para enfrentar sobre bases novas a alfabetização inicial não se resolvem com um método de ensino, nem com novos testes de prontidão nem os novos materiais didáticos…

Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso reintroduzir,  quando consideramos a alfabetização e a escrita como sistema  de representação  da linguagem.

Temos uma imagem empobrecida da criança que aprende: a reduzimos a um par de olhos, um par de ouvidos , uma mão que pega um instrumento para marcar e um aparelho  fonador que emite sons. Atrás disso há um sujeito  cognoscente, alguém que pensa, que constrói interpretações, que age sobre o real para trazê-lo seu,”                                                                 Emília Ferreiro

REFERENCIA

RIBEIRO, Vera Masagão. O conceito de Letramento e suas implicações pedagógicas….

LEITE, Sergio Antonio da Silva. Alfabetização e Letramento: Contribuição para as praticas pedagógicas. 3 ed. Coleção ALIE- Alfabetização Leitura e Escrita…

ABUD, Maria José Milharezi. O Ensino da Leitura e da Escrita na Fase Inicial de Escolarização – Temas Básicos de Educação e Ensino…

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento

As Muitas Facetas da Alfabetização. Editora Contexto….


[1] conceitos parcialmente verdadeiros, pois a língua escrita não é um registro fiel dos fonemas da língua oral (método fônico), assim como o discurso oral  e o discurso escrito e organizado de forma fiferente, ex; uso de gesto (método global).

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